PROJETO: LEITURAS DE CORDEL NO FACEBOOK

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Amigos, com o intuito de divulgar ainda mais a nossa Literatura de Cordel em todos os espaços possíveis, acabamos de criar, no Facebook, a nossa página LEITURAS DE CORDEL. Na verdade, já vinha realizando este projeto em meu perfil pessoal, mas acredito que chegou a hora de avançarmos. O projeto consiste em leituras de textos meus e de outros poetas, clássicos e contemporâneos, através da plataforma de transmissão ao vivo disponibilizada pela rede social. O evento acontece todas as terças e quintas-feiras, a partir das 20h. O tempo de duração é variável, a depender do tema abordado e da participação do público presente no momento da transmissão. Para nos acompanhar nessa divertida proposta, basta pesquisar a página no Facebook e, quando aparecer a imagem acima, clicar logo ali no canto direito, no polegar que está em azul. Esperamos vocês de braços abertos!

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A LITERATURA DE CORDEL EM MEDELLÍN – COLÔMBIA

 

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A convite do Instituto de Língua Portuguesa de Medellín (colômbia), única instituição desse caráter no estado da Antioquia, fui levar, de peito aberto, a nossa querida Literatura de Cordel através de uma agradável e necessária palestra. O ato fez parte da I Semana do Brasil em Medellín, evento que e contou com a participação dos alunos do ILP, mas também foi aberto para a comunidade paisa (como são chamados os habitantes do estado). Na palestra, falei um pouco sobre a história do Cordel, sua chegada ao Brasil, sua importância para a construção da identidade nordestina e sobre os seus campos de atuação na atualidade.

No final da palestra, recitei um poema em cordel da cordelista baiana Creusa Meira, que apresenta de modo coerente e transparente o que foi o golpe parlamentar instaurado no Brasil. Além disso foi importante ressaltar para a plateia quem são os políticos envolvidos nesse crime constitucional. Interessante que os ali presentes já estavam cientes do que vem acontecendo no Brasil e se mostraram dispostos a apoiar-nos no que for preciso. #foratemer!

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Num segundo momento, a convite do professor, antropólogo e  mestrando em literatura  Juan Esteban Gonzales Puerta, apresentei a Literatura de Cordel para alunos do curso de extensão em LP da Universidade de Antioquia. Mais uma vez os alunos, de cursos diversos e na maioria futuros engenheiros, se mostraram muito interessados pela nossa literatura e isso serve de combustível para que nós, poetas, possamos levar aos quatro cantos do mundo a nossa Literatura de Cordel. Foi um imenso prazer dialogar com nossos hermanos sulamericanos e espero, o mais breve possível, voltar à Colômbia de tantos ritmos caribenhos, de Gabriel Garcia Márquez e do pintor Botero!

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LANÇAMENTOS EM SALVADOR

O Mês de agosto está, como diz a voz do povo, BOMBANDO! Além dos eventos que já aconteceram esse mês, teremos ainda mais dois importantes lançamentos. O primeiro é o lançamento do livro Literatura Brasileira em Cordel, do poeta e professor Antônio Barreto. No livro, Barreto contextualiza cronologicamente a Literatura Brasileira através das suas escolas literárias.

Data: 24/08. local: Centro de Cultura da Câmara Municipal (Praça Tomé de Sousa, Centro) / Das 18 às 21h.

 

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O segundo evento é o lançamento do livro Cinema e Cordel, da pesquisadora francesa Sylvie Debs, que acontecerá logo após uma conferência realizada pela própria autora, no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA, no dia 26 de agosto, às 10h.

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Não percam!

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A LITERATURA DE CORDEL NA CIDADE DE BRUMADO

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Aconteceu, entre os dias 11 e 13 de agosto de 2016, na Universidade do Estado da Bahia(UNEB)  de Brumado, o Sertão Territótio Leitor: evento organizado pelo PROLER da Universidade. Na ocasião, foram realizadas diversas palestras, cursos, oficinas e apresentações acadêmicas. O nosso trabalho se fez presente com uma oficina intitulada “O cordel na sala de aula”, ministrada pelo grande poeta José Walter Pires, membro da ABLC, e pelo poeta e professor Elton Magalhães.

Além da oficina de cordel, o evento também contou com a presença do cordelista e xilogravador Luís Natividade que ministrou uma oficina de xilogravura. José Walter Pires também participou de uma conferência intitulada “Literatura, voz e criação poética” ao lado da professora Zoraide Portela (UNEB) e da atração mais esperada para o evento: nosso grande mestre Bule-Bule. No final do evento, o público ainda pôde se deslumbrar com uma mesa de glosas que contou com a participação dos poetas pernambucanos Jorge Filó, Clécio Rimas e novamente o Mestre Bule-Bule.

Nós, cordelistas e artistas presentes, agradecemos a todos os organizadores, em especial às professoras Renailda Cazumbá e Daniela Galdino, que souberam tão bem nos acolher e fizeram de tudo para que o evento se tornasse um sucesso, como foi de fato!

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ENTREVISTA PARA O BLOG ‘PROFESSORWEB’

O Blog oprofessorweb.wordpress.com, idealizado e organizado por professores da rede Anísio Teixeira, tem feito um excelente trabalho em prol da educação brasileira. Eu fui o entrevistado da semana e falei sobre alguns trabalhos realizados com o Cordel em sala de aula. Confiram a matéria abaixo e aproveitem para visitar essa belíssima página!

 

“O Cordel Tem Tudo a Ver com a Educação”

Chegou ao Brasil no século XVI e, de lá pra cá, ainda reclama mais visibilidade e lugar de importância entre os textos literários. Trata-se do Cordel, narrativas em versos impressas em papel simples, ilustradas com xilogravuras e que era, geralmente, exposto em barbantes ou cordas. Com nomes distintos desde o seu nascimento, andou na Espanha como “pliegos suelitos”, em Portugal como “folhas sueltos” ou “volantes”. Foi trazido pelos portugueses, instalou-se na Bahia e estabeleceu-se no Nordeste, região bastante retratada em histórias ricas em dramas e comicidade.

Com uma linguagem coloquial e rimas simples para tratar de temas populares do povo nordestino, o Cordel foi muito estigmatizado, especialmente entre os intelectuais. Por outro lado, apesar disso, há registros de que escritores como João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, José Lins do Rego e Guimarães Rosa tenham sido fortemente influenciados por essa arte. Vale pesquisar sobre sua história, visitando o site daAcademia Brasileira da Literatura de Cordel, mais uma iniciativa para a sua valorizaçãoFelizmente, nos últimos anos, o Cordel ressurge como objeto de pesquisas acadêmicas e, consequentemente, ganha mais espaço também em salas de aula, onde pode ser contemplado como uma expressão literária e, além disso, como prática sóciodiscursiva. O cordel, afinal, traz uma missão: pretende ensinar a viver o verbo em versos.

Fig. 1: Elton Magalhães é professor de Literatura e poeta cordelista. Foto: arquivo pessoal.

Hoje, o Blog do Professor Web, traz uma entrevista e inspiração para os estudantes e professores com a experiência e talento de um convidado: Elton Magalhães. Nascido em Castro Alves, graduado em Letras Vernáculas pela UFBA e mestre em Literatura e Cultura também por essa instituição. Ele fala do trabalho que realiza em aulas, palestras e oficinas em que utiliza o cordel como opção metodológica.

Para Elton, a Literatura passou a ser um interesse por volta dos 17-18 anos, já na universidade, quando cursou a disciplina Literatura Popular. Ele, eu e todos os educadores deste Blog acreditamos: com cordões e cordéis se faz uma boa rede, um texto bem tecido.

Lilia Rezende (Blog do PW): O cordelista mostra-se comprometido com a realidade e vê, na arte literária, uma forma de expressão e luta. O seu cordel tem engajamento político?

Elton Magalhães: Bem, na posição de professor, nós somos, inevitavelmente, formadores de opinião e, consequentemente, precisamos tomar uma posição política, independentemente de qual seja ela. Sabemos que todo e qualquer avanço social de um grupo ou uma nação deve partir necessariamente da educação. Às vezes, infelizmente, acabo misturando a minha função de educador e a minha condição de cordelista. Muitos dos meus textos seguem uma metodologia e não tem como deixar a política passar despercebida. Ainda mais quando se trata de um país como o nosso, tão frágil socialmente. Já escrevi alguns folhetos de cordel e alguns poemas avulsos sobre essa condição.

LR: Quais as influências para sua produção de cordelista?

EM: Costumo dizer que o meu grande mestre no Cordel é o poeta (e hoje grande amigo) Antônio Barreto. Conheci seu trabalho pela internet, quando recebi um texto seu que versava sobre o caso de uma professora “linchada” publicamente por ter dançado uma música sensual numa casa de shows em Salvador. Aquele foi o meu primeiro grande “barato” com o Cordel. Antônio foi um grande incentivador. Depois que comecei a escrever, foi que me embrenhei a pesquisar outros autores e me apaixonar ainda mais pelos textos. Posso citar alguns grandes: Leandro Gomes de Barros (o “pai” do cordel no Brasil), Mestre Azulão (falecido recentemente), Rouxinol do Rinaré, o Mestre Bule-Bule,Gonçalo Ferreira da Silva, os irmãos Klévisson e Arievaldo Viana, Franklin Maxado e alguns amigos da Bahia: Jotacê Freitas, Creuza Meira, José Warter Pires, Salete Maria. São muitos.

LR: Como se pode construir uma relação entre Cordel e Educação?

EM: O Cordel tem tudo a ver com a Educação. Primeiramente, porque ele não é um gênero em si, é uma vasta área dentro da Literatura e pode aparecer em diversas roupagens, em diversos gêneros textuais. Isso a partir da sua estrutura primordial que é a rima, a métrica e a oração (a sintaxe). Tendo isso em conta, o professor pode trabalhar com um romance, uma piada, com adivinhas, um conto, um texto mais lírico ou até mesmo falar de temas sociais a partir do Cordel. Além disso, a sua estrutura é muito atrativa, faz com que os alunos mantenham-se interessados, já que a rima e a métrica, quando bem usadas, prendem a atenção de quem lê ou ouve. Por fim, a linguagem simples e coesa do Cordel também ajuda no entendimento do texto. Sendo mais acessível, o Cordel consegue dialogar melhor com diversos grupos escolares.

Fig. 2: a cultura e a tradição dos folhetos de cordel enriquecem a nossa literatura. Fonte da imagem: Wikipedia.

LR: E na Leitura e Escrita, de modo específico, o Cordel colabora?

EM: Todo tipo de leitura e produção textual em sala de aula é proveitoso. Claro que isso depende da forma como o professor utiliza os recursos que lhe cabem. Para abordar o cordel, é necessário, antes de tudo, que os alunos conheçam a sua história, sua estrutura e a sua importância para a cultura popular do Brasil. Quando essa arte é apresentada a eles, existe uma empolgação imediata. Nas minhas experiências, eu posso afirmar isso. Muitos alunos, inclusive, escrevem textos em rima por conta própria e pedem a minha avaliação.

LR: No projeto O Português na Língua do Cordel, você produziu um livro didático com alunos usando versos populares em torno das Funções da Linguagem e das Variações Linguísticas. Como você lidou com esse desafio de falar sobre a língua, usando a língua numa estrutura e numa linguagem tão pouco usual?

EM: O trabalho foi maravilhoso. Foi uma atividade de metalinguagem, sobre temas que estávamos discutindo em sala de aula. Deixei que eles escolhessem entre produzir um texto em Cordel ou fazer uma prova tradicional. Os que produziram o texto em Cordel se desempenharam muito bem e isso me motivou a organizar uma coletânea com os melhores textos. Foi a partir daí que eu pensei n’O Português na Língua do Cordel, um projeto que parte de oficinas realizadas em sala de aula e que pretende colaborar com os professores e alunos. Os professores podem utilizar esses textos, já que são mais atrativos, para exemplificar os assuntos abordados neles, assim como os alunos podem utilizá-los como ferramenta lúdica na hora de estudar os conteúdos presentes ali. No âmbito virtual, ele teve boa divulgação, identifiquei quase mil downloads do livro que está acessível no blog https://ocordelnaweb.wordpress.com/.

LR: E a coleção Literatura em Cordel, como tem chegado a professores e estudantes? Tem boas notícias?

EM: Os meus primeiros textos estão nessa coleção. Ao trabalhar com as tradicionais escolas literárias em sala de aula, eu sempre levo esses textos. Eles correspondem a um grande resumo em cordel, narrando de forma lúdica e didática, com um pouco de humor e algumas críticas, o contexto e as características do Quinhentismo, Barroco, Arcadismo e Romantismo. É um projeto que pretendo dar continuidade e, assim que terminá-lo, penso em transformar em livro didático para contribuir para aquisição do conhecimento dos alunos e com o trabalho pedagógico dos colegas professores.

Lília Rezende

Professora da Rede Pública de Ensino da Bahia

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CORDELIZANDO EM SALVADOR-BA

Acontece, entre os dias 17 e 19, na Caixa Cultural de Salvador, o belíssimo projeto “Cordelizando”, que receberá grandes nomes da Literatura de Cordel no Brasil. O espaço, que já está realizando a exposição “J.  Borges – 80 anos”, contará com a presença do grande mestre da xilogravura, assim como de outros nomes, entre eles Bule-Bule, Maviael Melo e Antônio Barreto. Na ocasião, serão realizadas oficinas, recitais e várias conversas. Não Percam!

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CORDEL CONTRA A CULTURA DO ESTUPRO – SALETE MARIA

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NO DIA 23 DE MAIO DE 2016 O BRASIL ASSISTIU A MAIS UM CASO LASTIMÁVEL: UMA GAROTA DE 17 ANOS FOI BRUTALMENTE ESTUPRADA POR 30 HOMENS NA PERIFERIA DO RIO DE JANEIRO – CIDADE QUE RECEBERÁ, EM POUCO TEMPO, AS OLIMPÍADAS. ALÉM DE SER DOPADA E VIOLENTADA, A GAROTA TEVE A SUA IMAGEM DIVULGADA EM VÍDEO NAS REDES SOCIAIS PELO NAMORADO, QUE POR MOTIVO DE SUPOSTA TRAIÇÃO ORGANIZOU O CRIME. VÁRIOS MOVIMENTOS SOCIAIS JÁ SE POSICIONARAM EM TODAS AS PARTES DO PAÍS DENUNCIANDO E PROMOVENDO CAMPANHAS CONTRA A CULTURA DO ESTUPRO, QUE PARECE NÃO TER FIM POR AQUI. AINDA MAIS SE PENSARMOS QUE ALGUNS POLÍTICOS RELIGIOSOS E FUNDAMENTALISTAS RADICAIS TÊM PROPOSTO MEDIDAS PARLAMENTARES QUE ATRAPALHAM AINDA MAIS O AVANÇO DA CAUSA. A PROFESSORA DA UFBA, ADVOGADA, CORDELISTA E MILITANTE SALETE MARIA PUBLICOU RECENTEMENTE, NAS REDES SOCIAIS, UM EXCELENTE E NECESSÁRIO TEXTO EM CORDEL QUE MUITO BEM EXPLICA O ACONTECIMENTO E REPRODUZIMOS AQUI PARA RESSALTAR QUE NÓS TAMBÉM NÃO APOIAMOS A CULTURA DO ESTUPRO!

NÃO À CULTURA DO ESTUPRO

O estupro da menina
Nos convida a pensar:
Será essa a nossa sina?
Temos que nos conformar?
Ou temos que ir pra cima?
Já que a luta nos ensina
Que tudo pode mudar?

A cada onze minutos
Um estupro acontece
E não é um bicho bruto
Que da floresta aparece
Com seu “instinto insano”
E viola um ser humano
Conforme lhe apetece

É “gente civilizada”
Que estuda ou labora
Que cumpre sua jornada
Que vai à missa e chora
Mas estupra uma mulher
Onde e quando bem quer
Pois vê que ninguém dá bola

E pratica a violência
Achando que está certo
Pois compartilha da crença
De que o homem esperto
Não perde a oportunidade
De mostrar virilidade
Pois sempre estará coberto

Afinal nossa cultura
Acha normal explorar
O corpo de uma mulher
Em tudo quanto é lugar
Basta ver as propagandas
E as letras d’algumas bandas
Para ver como se dá

Sem título

A cultura do estupro
Está em todo ambiente
Desde a casinha mais simples
Ao palacete imponente
Passando pela imprensa
Religião e ciência
E no discurso eloquente

A ob-je-ti-fi-ca-ção
Da imagem da mulher
A hiperssexualização
Que o povo aplaude de pé
É uma autorização
Para a violação
E quase ninguém dá fé

Estuprar uma mulher
Significa poder
E nossa sociedade
Ensina como fazer
Quando educa diferente
Ou mesmo quando consente
Um homem nos ofender

De onde vem a ideia
Que a gente não tem valor?
Quem criou essa epopeia
Do macho devorador?
Que pode nos estuprar
Bater e até matar
E divulgar com furor?

Limpemos nossa retina
Para enxergar a história
E ver como essa cretina
Ainda nos ignora
Pois narra os grandes feitos
Dos machos e seus direitos
Deixando a mulher de fora

Miremos as nossas casas
Escolas e outros espaços
Meninas são educadas
A ter direitos escassos
Meninos tem liberdade
E andam pela cidade
Sem ninguém seguir seus passos

Escutemos as conversas
Sobre os corpos femininos
Atentemos para aquilo
Que dizem nossos meninos
Pra ver se não é igual
Ao discurso social
Machista e assassino

Olhemos bem para as ruas
E o assédio cotidiano
Sob o sol ou sob a lua
É só “fiu fiu” imperando
E piadas de mal gosto
Ditas bem perto do rosto
Daquela que vai passando

Olhemos para a política
E os modos de governar
Será que alguém acredita
Que sexismo não há
No comando do país
Que hoje está por um triz
Sem mulher para opinar

Quem tem controle de tudo?
Quem manda, quem determina?
Quem acha que pode tudo?
Quem explora e domina?
Quem é “criado pra isto”?
Quem acha que tem um visto
Pra violar as meninas?

Tudo é naturalizado
Visto como algo banal
Mas as práticas revelam
O machismo estrutural
Que ainda culpa a mulher
Dizendo: “ela é quem quer
Ser estuprada, afinal”

O velho patriarcado
Ainda está em vigor
E o machismo é ofertado
Como o melhor professor
Nos planos de educação
Por toda essa nação
Sem ter o menor pudor

Mas isso tem que mudar
Pois é preciso ter fim
O povo tem que acordar
E o Estado enfim
Precisa assumir a culpa
E acabar com a desculpa
De que as coisas são assim

Pois se cada estuprador
Responde pelo seu ato
Conforme manda a lei
E assim deve ser, de fato
O machismo opressor
Que tanta dor já causou
Também pagará o pato

Precisa ser extirpado
Do convívio social
Não pode ser tolerado
Ou perdoado, afinal
Tem que ser eliminado
Morto e erradicado
Via educação geral

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Pois se a cultura machista
Ensina a maltratar
E estuprar as mulheres
Ou até mesmo matar
Educar para a igualdade
E para a diversidade
É o que pode transformar

Sobre isto o feminismo
Tem muito a nos ensinar
Já que fala de respeito
De direitos, de lutar
Fala de democracia
Liberdade, autonomia
E d’outras formas de amar

Não à cultura do estupro
Não à dor e à violência
Não à exclusão de tudo
Não à tanta conivência
Não ao machismo perverso!
E assim termino meu verso
Pedindo mais consciência!

Salete Maria
Salvador-BA, 26/05/2016

(PARA SABER MAIS SOBRE SALETE MARIA VÁ AO MENU ENTREVISTAS E PERSONALIDADES)

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